Demitidos no setor de serviços são maioria em Ribeirão Preto: 'Triste', diz dona de restaurante fechado

Em abril, foram 2.852 das 5.038 pessoas que perderam os empregos em razão da crise econômica causada pelo novo coronavírus.

Retomada e saúde caminham juntas, diz economista.

Pandemia da Covid-19 acaba com três anos de recuperação de empregos em Ribeirão Desde a chegada do novo coronavírus a Ribeirão Preto (SP), em março, a empresária Mônica Tamai não abriu mais as portas do restaurante dela no Jardim Nova Aliança, zona Sul da cidade.

Com as determinações municipal e estadual para conter o avanço da Covid-19, restaurantes e bares suspenderam o atendimento presencial.

Sem previsão para o início da retomada das atividades do setor, Mônica demitiu os seis funcionários. “Foi uma situação muito complicada e muito triste.

Quando você abre um negócio não é para mim, é para a sociedade também.

Foi a última atitude.

Não dava para segurar mais.” O restaurante self-service fica em frente a uma universidade.

Como as aulas também foram interrompidas e parte da clientela de Mônica é formada por estudantes e professores, o movimento foi afetado imediatamente. “Eu tenho condomínio, aluguel, conta de luz, que são pagamentos que precisam ser feitos.

As coisas estão subindo muito, muitas pessoas estão desempregadas, e é bem complicada a situação.

Não minha só, mas de todos os outros amigos”, afirma.

Restaurante fechado pela crise econômica causada pelo novo coronavírus em Ribeirão Preto Reprodução/EPTV Embora o governo de São Paulo tenha anunciado medidas que permitem a reabertura de setores considerados não essenciais, por enquanto, bares e restaurantes vão continuar fechados em Ribeirão Preto.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que Ribeirão Preto fechou 5.038 postos de trabalho em abril deste ano.

Só no setor de serviços, que inclui o estabelecimento de Mônica, foram 2.852 demissões.

O segundo com mais desligamentos é o do comércio, com 1.519 baixas na carteira. O primeiro quadrimestre de 2020 tem saldo negativo de 4.727 vagas.

Já em abril de 2019, sem o novo coronavírus, a cidade criou 2.390 vagas. Segundo o economista Edgard Monforte Merlo, a retomada da economia vai acontecer, mas, desta vez, precisa estar alinhada às medidas de proteção à saúde.

“Esse reaquecimento tem que se ter os cuidados como uso de máscara e com parcelas da população, principalmente com os mais suscetíveis à doença.

Se você tem uma mortalidade maior, você vai parando a economia”, diz.

Carteira de trabalho Divulgação/ Reprodução Merlo afirma que estudos internacionais têm mostrado que, com uma retomada inteligente, a tendência é que as empresas recuperem metade do faturamento anterior à pandemia, o que é um indicador razoável para dois meses de paralisação da economia. “Você primeiro deve ter uma recuperação das empresas, mas a recuperação do emprego só vem em um segundo momento.

As empresas, principalmente as pequenas e médias, sofreram muito com problemas de financiamentos, capital de giro”, afirma. Com 16 anos de atuação, Mônica tem esperança de reabrir o restaurante, mas acredita que as decisões serão tomadas com cautela, tendo em vista a lentidão da retomada.

“Vamos ver quando vamos recomeçar a vida para a gente poder recontratar.

Mas isso vai depender também da demanda, no início não vai ser uma coisa tão simples assim.

A contratação deve ser de forma gradativa.” Initial plugin text Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
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